Bioagri no Valor Econômico
21/12/2009 - 12:42h

Laboratórios de análises desembarcam no Brasil 21/12/2009


Laboratórios de análises desembarcam no Brasil
Christiane Bueno Malta, para o Valor, de São Paulo
 
A ecologia está tornando-se um bom negócio. Independentemente das conclusões do encontro mundial sobre o meio ambiente em Copenhague, os laboratórios de análises ambientais vêm preparando-se para atender à demanda das empresas brasileiras, preocupadas em tornar seus produtos e processos operacionais mais aceitáveis ecologicamente e adaptar-se às crescentes exigências das normas governamentais.
Os laboratórios de análises coletam amostras e medem a concentração de determinadas substâncias contidas nos resíduos liberados - águas, efluentes, gases - ou nos produtos fabricados por uma empresa. Isso permite avaliar se estão dentro de um padrão ecológico-ambiental aceitável.
Como diz Valmir David, vice-presidente de vendas e marketing do grupo Bioagri, qualquer empresa, de qualquer segmento, acaba gerando resíduos que são descartados em algum lugar, o que a torna um cliente potencial dos laboratórios. E, segundo Edmundo Martins, diretor do Analytical Solutions, o Brasil é um país com bastante leis ambientais, que requerem licenças e monitoramento, o que gera grandes oportunidades para os laboratórios especializados. O volume de operações é ainda relativamente baixo, mas o crescimento dos negócios dos laboratórios é bem superior à expansão do Produto Interno Bruto.
Não é estranho, portanto, que o potencial da demanda tenha levado um grande número de interessados a entrar no setor, que já é extremamente pulverizado. Hoje, há uma ampla variedade de empresas prestando serviços nessa área, desde simples escritórios até grandes grupos, uma situação que leva à concentração e atrai firmas estrangeiras.
No exterior, o Brasil é visto como um dos mercados mais promissores. Alguns dos principais operadores globais, quase todos de origem francesa, desembarcaram no país. A Bureau Veritas Quality International, do grupo Bureau Veritas, adquiriu no Brasil, em abril de 2008, 100% da Analytical Solutions. O grupo Eurofins Scientific Analytics comprou o Innolabi, no Rio de Janeiro, especializado em análises ambientais, no primeiro semestre deste ano. O Bioagri, o maior laboratório de análises da América Latina, que faz análises de alta complexidade, seguiu pelo mesmo caminho ao aproximar-se de uma das grandes multinacionais, a centenária empresa francesa Mérieux Alliance.
Fundado há 18 anos, o grupo Bioagri opera em segmentos como agroquímica, alimentos, fármacos, saneantes, cosméticos, produtos veterinários, biocombustíveis e Reach (nova norma que regulará as exportações de substâncias químicas para a União Europeia). Mas sua principal atividade, o carro-chefe, responsável por metade do faturamento de R$ 80 milhões esperado para este ano, são as operações relacionadas com o meio ambiente por meio das análises de efluentes, solos etc. Entre seus clientes estão indústrias como Petrobras, Vale, Grupo Votorantim, Volkswagen, Fiat, Unilever, Souza Cruz e empresas de saneamento como Sabesp, Cedae e Cesau.
A aproximação com o grupo francês se deu no final de 2007, quando o Bioagri fez um acordo com a Silliker, líder mundial em análises de alimentos e fabricante de vacinas instalada nos Estados Unidos, que é controlada pela Mérieux. Pelo acordo, a Silliker adquiriu 22% do Bioagri, com opção para aumentar sua participação até 60% das ações no prazo de cinco anos. Segundo Valmir David, o negócio é de interesse mútuo, já que a Silliker e o Bioagri atuam em mercados distintos e complementares.
O Bioagri, que espera aumentar em 30% o faturamento em 2009, possui 13 laboratórios. Quatro deles em São Paulo, nas cidades de Piracicaba, Paulínia, Charqueada e na capital; dois em Minas Gerais (Belo Horizonte e Uberlândia); um na cidade do Rio de Janeiro; um em Curitiba (PR); um em Brasília (DF); um em Vitória (ES) e um em Paraupebas (PA). Para conseguir atender à demanda, está pisando no acelerador. Planejou investir R$ 40 milhões de recursos próprios em cinco anos, a partir de 2009, na expansão de sua estrutura física, no treinamento da mão de obra, na compra de equipamentos novos e na aquisição de empresas concorrentes. Neste ano, foi incorporado ao grupo um laboratório de Belo Horizonte especializado em análises ambientais e ampliado outro no Rio. Há três meses, o grupo comprou um equipamento, conhecido como LCMSMS, no valor de R$ 1,5 milhão, para análises de alimentos na capital paulista.
Em 2010, o Bioagri pretende inaugurar novas unidades nas regiões Norte, Nordeste e Sul. E, para 2011, a expansão deverá ser internacional com a aquisição de laboratórios na Argentina, no Chile e no Peru, graças ao acordo com a Silliker. "Parece que estamos na contramão da crise global", afirma David, uma constatação que certamente se aplica também, de maneira genérica, a todo o setor de laboratórios de análises ambientais.
Edmundo Martins, diretor do Analytical Solutions, do grupo Bureau Veritas, diz que a crise global foi sentida em meados deste ano com uma diminuição dos pedidos de projetos ambientais de 18%. Contudo, já registra uma retomada dos negócios, para a qual está preparado graças aos investimentos feitos desde 2008, depois de fazer um estudo que mostrou o aumento potencial da demanda. O faturamento do Analytical neste ano, apesar da queda sentida meses atrás, deve ser 14% maior que o de 2008. A expectativa é de um crescimento ainda superior em 2010.
A Analytical Solutions completou dez anos de fundação em outubro último operando com três unidades (Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais). A unidade mineira trabalha no campo da geoquímica para análises de minerais. São Paulo opera na área ambiental, incluindo análises de águas, solos, sedimentos, resíduos em geral; análises atmosféricas, líquidos, resíduos de alimentos, orgânicos, sólidos e higiene ocupacional. No Rio são feitas as mesmas análises que São Paulo, exceto de higiene ocupacional. A Analytical representa 12% do faturamento do Bureau Veritas no Brasil.
O Eurofins do Brasil, do francês Eurofins Scientific Analytics, iniciou sua atuação no Brasil na área de análises laboratoriais em 2001 com a aquisição de uma unidade do alemão Zenescan, instalada em Itu (SP), especializada em alimentos geneticamente modificados. A operação foi transferida para a capital paulista, mas desde 2004 voltou para o interior, em Indaiatuba. A última aquisição foi o laboratório Innolabi, no Rio. Segundo Edson de Fraia Júnior, diretor em São Paulo, houve uma crescente demanda no mercado brasileiro nos últimos três anos. Além de análises de alimentos geneticamente modificados, a Eurofins do Brasil opera também nas áreas de microbiologia, contaminantes e pesticidas.
No ano passado, o faturamento da Eurofins do Brasil foi de R$ 8,6 milhões e espera-se um crescimento em 2009 entre 20% e 25%, segundo o diretor financeiro-administrativo, Antonio Bandeira Oliveira. Esse rápido crescimento do mercado obriga a empresa a investir. Neste ano, construiu um laboratório de microbiologia, que demandou € 1,2 milhão (R$ 3 milhões), cuja capacidade anual é de 50 mil amostras. "Antes fazíamos apenas as coletas e enviávamos para os laboratórios do grupo pelo mundo. Hoje, fazemos tudo aqui mesmo, no Brasil", diz Oliveira.
É provável que um mercado tão promissor, e cujas perspectivas de crescimento são bastante lisonjeiras, continue atraindo mais laboratórios do exterior.
 

Fonte: Valor Econômico

« Voltar

Copyright © 2010 - Bioagri - Todos os direitos reservados.